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O direito de existir (eu, como você)

por Monique Prada

Artigo publicado originalmente no blog Socialista Morena, da jornalista Cynara Menezes
Leia este artigo também no Papo de Homem

O senso comum trata a prostituição como a mais antiga das atividades remuneradas. Embora eu não estivesse lá para testemunhar, meus parcos conhecimentos da história da humanidade não me dão base sólida para contestar tal informação – de modo que a tomaremos como verdade, de momento. Fato é que a prostituição existe desde há muito e, por mais estigmatizada, discriminada, isolada que seja a pessoa que a exerce, segue existindo, sem dar sinais reais de que sua extinção esteja próxima.

Assunto em voga hoje em dia, o projeto de lei que visa regulamentar a atividade vem encontrando apoio e oposição em vários setores da sociedade organizada. É um projeto bastante inteligente, conectado à realidade. Um dos pontos mais importantes em seu texto é a legalização das boates, clínicas e casas de prostituição, estipulando inclusive valores percentuais para determinar o que se pode considerar “exploração” – a qual passa a ser o crime – e o que seria lucro aceitável a uma empresa destinada à diversão adulta e à comercialização de serviços sexuais. Seus maiores opositores, além dos tradicionais grupos religiosos de matizes variados, devem estar justamente nos donos dos bordéis e afins. Situação análoga a de qualquer tentativa de regulação do trabalho em qualquer época em nosso país, vide o ocorrido na década de ’40.

Incrivelmente, algumas pessoas reagem como se o projeto “criasse uma nova profissão”, e não simplesmente regulamentasse o que já temos por aí, funcionando dia e noite à revelia da lei – o que pode, em muitos casos, dar margem inclusive a outras ilegalidades e a uma situação de vulnerabilidade real e segregação ao profissional, que não tem a quem recorrer na hora de fazer valer seus direitos. O projeto praticamente não afeta em nada a vida das chamadas “acompanhantes de luxo” (luxo, aliás, é um termo até irônico quando aplicado ao ramo…) que atuam de modo independente através de sites e comunidades na Internet, ou mesmo em casas mais conceituadas, que não costumam perceber remuneração direta sobre o valor cobrado pela profissional. Entretanto, é de grande importância para proteger as prostitutas em situação de maior vulnerabilidade social. Não regulamentar não acabará com os prostíbulos baratos e insalubres. A não regulamentação apenas favorece o trabalho da máfias, o tráfico humano, a escravidão (e lembremos que trabalho escravo não é acontecimento inerente apenas à prostituição: há mão-de-obra escrava farta na indústria da construção civil, do vestuário, da mineração.. E a situação do trabalhador doméstico nos pontos mais longínquos do país, como anda?).

Os efeitos positivos da regulamentação talvez não sejam visíveis a curto prazo, não cabe ilusão a esse respeito. O projeto de lei não é perfeito, tem suas falhas – coisa que não ficou clara para mim, por exemplo, é como se daria a cobrança pelo serviço em caso de não pagamento pelo cliente: haveria um contrato escrito entre as partes? E do que consistiria o trabalho “em cooperativa” proposto? O texto precisa ser melhor estudado, aperfeiçoado, ajustado à diversidade de situações regionais. Mas é um puta avanço – com o perdão do trocadilho, babaca e quase inevitável.

Campanha irlandesa contra a segregação às prostitutas: “Escolho o emprego que melhor se adequa às minhas necessidades”.

Lembremos sempre: todos nós, quando “decidimos” trabalhar, o fazemos pela necessidade de nos sustentarmos, e aos nossos. Não importa em que área trabalhamos, o fazemos pela grana – e, quem sabe, por alguma satisfação pessoal também.Exploração é regra nas relações que regem nossa sociedade, não exceção, os mais conscientes sabem muito bem. Somos contra, mas, até o momento, leis, regras e fiscalização foi a solução que amenizou o problema, para todos.

Feliz é aquele que trabalha no que gosta. Assim é com o profissional do sexo também. A prostituição é, sim, “um trabalho como outro qualquer”, porém com suas peculiaridades. Manter a “profissão” à sombra da legalidade, negando direitos, negando regulamentação, só contribui pra que se trabalhe em um ambiente de violência, exploração, SEGREGAÇÃO. Além do mais, já passou da hora de sermos vistas – nós, meretrizes – como cidadãs responsáveis por nossas escolhas e donas de nossas vidas.

Muitos movimentos nos tratam como seres incapazes de escolher nossos caminhos, vítimas de um trabalho que nos oprime, ignorantes sobre o mundo que nos cerca. O que verdadeiramente nos oprime é estar à margem, é o trabalho mal pago, é a invisibilidade forçada, esse vitimismo imposto, aliado a uma romântica compreensão de que sexo é algo pelo qual não se pode cobrar sem uma vaga sensação de erro, de pecado, de culpa.. Somos nós, meretrizes, também, donas e senhoras de nossos corpos, mesmo durante nosso período de trabalho. Percebam: alugar seu tempo não é equivalente a alugar ou vender seu corpo, como pensam tanto(as). Quem contrata os serviços de uma prostituta não tem direito ao abuso ou à violência. Há uma diferença sensível, porém importante, entre um conceito e outro.

“Profissionais do Sexo: Documento Referencial para Ações de Prevenção das DST e da Aids”, pioneira cartilha elaborada pelo Ministério da Saúde em 2002.

Alguns, com boa intenção talvez, mas desconhecendo a realidade, dizem que é uma atividade “indigna” e, portanto, não passível de direito. Dignidade é liberdade. Exercer seu ofício de modo digno e ter seus direitos de trabalhador respeitados, isso é libertar o profissional do sexo. Exigir que um profissional abandone seu trabalho não o liberta de nada. É, sim, interferir vergonhosa e autoritariamente na vida de pessoas adultas e com condições de decidir. Eu, como você.

“Pagando por sexo” e a hipocrisia nossa de cada dia: o pecado está no lucro?

Chester Brown é, em certo sentido, um cara corajoso. Ele usa seus quadrinhos, bastante expressivos na sua “não emoção”, para esboçar uma tese bem interessante na racionalização da malaise masculina na virada para o século XXI: o mito do “amor romântico” é um mal que deve ser extirpado das aspirações humanas na sociedade contemporânea. Tese que ele defende, ao longo dos quadrinhos que ilustram seu livro, com muita convicção – ardorosamente, até, mas sobretudo, racionalmente. Como demonstração, ele utiliza sua opção de buscar o que não tem mais – sexo – com prostitutas, entre março de 1999 e dezembro de 2003, em Toronto.

“Pagando por sexo” é um livro interessante, a começar pela apresentação – quadrinhos tornam qualquer assunto mais palatável. Confesso que meu primeiro impulso foi o de desconstruir um a um os argumentos apresentados pelo autor em defesa de sua opção. A começar pela chamada: “O amor romântico? Não existe. Pagar por sexo é melhor.” Perfeito – mas talvez seja a hora de contar isso aos maiores interessados: às prostitutas, seus amantes, maridos, e mesmo patrocinadores eventuais que acabam por se tornar fixos e fiéis. Coisa, aliás, que acontece com ele mesmo, ao final – chegaremos lá…

No desenrolar da trama, conhecemos um Chester meticuloso em seu planejamento e em suas justificativas. Após uma conversa (surreal para nossos padrões – e só isso já recomendaria o livro para nossos emocionais casais brasileiros) em que sua namorada “pede permissão” para ficar com outro, ele – que segue morando com a moça, agora em uma relação de amizade – decide não mais se envolver. Considera que o “desgaste” de conseguir e conviver com uma nova namorada não compensa a satisfação. Confrontado com a necessidade e desejo de transar de quando em vez, e a total falta de vontade de iniciar um novo relacionamento, Chester acaba se decidindo por pagar… por sexo! Um modo fácil e racional de economizar emoções.

Entretanto, Chester é neófito na temática. Passa por todas as dúvidas de um iniciante, como se tivesse vinte anos ao invés dos quase quarenta que já o alcançaram.. aceita todas as desculpas mais clássicas de nossas heroínas, nunca pondo em dúvida a sinceridade delas… Não por acaso, uma das moças diz que ele foi muito bem “recomendado” por sua amiga (no jargão do meretrício, a definição mais apropriada para “bem recomendado” traduz-se pelo desejável trio de qualidades: “tem pau pequeno, goza rápido e paga direitinho”…).

Enfim.. Chester é um canadense que acredita, sobretudo, na sinceridade como a virtude humana suprema. É filho da lógica “fumei mas não traguei” que impregna aquelas paragens. Assim, ele quer sempre justificar e proteger as moças que o satisfazem frente à argumentação preconceituosa de seus amigos (sim, ele apregoa aos quatro ventos sua opção pelo sexo pago – o que, a meu ver, justifica o adjetivo que empreguei no começo: corajoso. Assumir essa opção para amigos não adeptos da prática gera, não raro, estranheza e indignação..). No entanto, quando confrontado às questões “espinhosas” (como, por exemplo, se não estaria ele contribuindo para o enriquecimento de cafetões), sua resposta se resume a um tímido “espero que não” – embora as evidências apresentadas mostrem que nenhuma daquelas moças atua sozinha, sendo muitas, mesmo, imigrantes, provavelmente ilegais.

Com a continuidade dos encontros, Chester vai ganhando “cancha” – o que ocorre sobretudo a partir do conhecimento de um site que dá notas às prostitutas de Toronto (similar aos nossos fóruns que, ainda que não sejam totalmente confiáveis, ainda assim, são um bom canal para a troca de informações sobre o assunto. Nos primeiros anos de existência, era comum ver foristas referindo-se ao GpGuiA – que teve sua festa de 10 anos em agosto último – de PROCON do putanheiro, e devo eu mesma admitir que houve um tempo em que cumpriu bem este papel, muito embora hoje – infestado de tds “falsos”, em muitos casos “plantados” por agentes e mesmo pelas próprias acompanhantes, e, ao menos aqui no Sul, pautado por um sem número de regras bobas, mutáveis ao sabor do humor do administrador – seja apenas uma desbotada sombra do modelo revolucionário que já representou um dia).

Terb - Toronto Escort Review Board, um dos fóruns de clientes de prostitutas, no Canadá

Conforme adquire mais experiência, Chester percebe-se emocionalmente abalado após os programas, sobretudo ao repetir encontros com a mesma garota, e tem dificuldades para entender o que está acontecendo. Até que ele acaba por rever seu conceito, e o adapta para algo mais palatável e menos discutível. O problema não é mais o “amor romântico” mas sim a monogamia forçada a ele associado.

Quem espera transas mirabolantes nos quadrinhos do livro não encontrará. Os encontros de Chester são descritos com recato – até para evitar a identificação das moças – mostrando simplesmente aquilo que muitas vezes ocorre entre cliente e acompanhante. Ao contrário do que talvez espere quem não “vive” no meio, Chester tem o comportamento padrão do patrocinador de meretrizes “de sites”: longe de ser um sociopata solitário, agressivo e amargo, Chester é gentil e educado. Busca nos encontros apenas alguma satisfação e não vê problemas em pagar por isso – como pagaria por um corte de cabelo ou uma sessão de psicoterapia. Usa os encontros apenas como um meio de conseguir satisfação economizando sentimentos e emoções.. Comportamento bastante usual nos dias atuais. Como se sexo fosse, realmente e apenas, uma necessidade fisiológica, básica. É assim que Chester o vê e, sob este aspecto, é cauteloso: racionaliza a questão, mede consequências, calcula gastos, jamais cede a impulsos.. tudo o que ele quer é prazer, e o busca nos tediosos encontros de curta duração com prostitutas. Orgasmos sintéticos, gemidos sincronizados e o “vazio” que o acomete quando essas relações tornam-se rotina. Contraditório, pra quem quer fugir do que chama de “amor romântico”, não? Ao menos quando essa fuga se dá por conta da rotina inevitável das relações duradouras… Ou não? A rotina é mesmo menos assassina quando se muda apenas os personagens?
Fugindo um pouco do assunto, há um ponto que gostaria de ressaltar a respeito de Chester: seu comportamento (embora, muito provavelmente, ele mesmo nunca venha a se dar conta disso, talvez mesmo por falta de interesse), essa pseudo-promiscuidade, esse “entregar-se” a prazeres proibidos e mundanos, atrai o interesse de muitas “civis”.. Loucas para preencher o vazio existencial imenso que assola a alma desse pobre rapaz carente, esmeram-se em produções sensuais, devoram 50 tons de qualquer cor que lhe caia nas mãos e vão à luta. Desastroso erro de avaliação… Dificilmente um homem que habitualmente recorre aos serviços de meretrizes deixa de fazê-lo apenas por ter assumido um relacionamento. Além do mais, homens que saem com meretrizes não são necessariamente carentes, nem há garantia de sofrerem desse vazio existencial imenso do qual nos falam as pessoas que optam por ter uma vida sexual “convencional” – com romance, diria eu. Ah, o vazio…


Ao final, há uma discussão mais séria sobre temas envolvendo questões morais e legais quanto à prostituição. Comentarei algumas das questões levantadas pelo autor com base em minha experiência pessoal:

1. A prostituição é apenas uma forma de namoro e, no futuro, as pessoas encararão com naturalidade tanto pagar quanto cobrar por sexo – Bom, eu vejo, sim, os encontros como “uma forma de namoro” com hora marcada e duração pré-determinada.. Mas discordo que haja a possibilidade de, algum dia, ser visto como “normal” o pagar ou receber por sexo. Num mundo perfeito, isso talvez fosse o ideal – mas minha experiência pessoal leva-me a duvidar dessa possibilidade. Pagar por sexo já é, nas “internas”, relativamente bem aceito. Receber por sexo, isso sim, é tido como comportamento passível de condenação. Senão, vejamos: enquanto “civil”, convivi com muitas mulheres que tinham, secretamente, uma vida sexual tão ou mais libertina quanto a que passei a ter enquanto acompanhante. Pois muitas dessas modernas e descoladas moças adotaram uma posição ridiculamente hipócrita e cínica quando decidi passar a atuar como acompanhante. Não questionaram meus motivos, não me deram chance, nada me perguntaram. A condenaçäo veio quase que imediatamente: as queridas amigas “civis” que antes me confessavam seus casos extra-conjugais, que freqüentavam festas estilo “clube de mulheres”, despedidas de solteira nada inocentes, eram habituès de casas de swing (gosto e prática que compartilhávamos), pediam-me indicação sobre prostitutas que não raro contratavam para “presentear” o parceiro em ocasiões especiais – repudiaram minha decisão, excluindo-me do grupo e, através de fofocas, prejudicaram-me intencionalmente em minha vida pessoal. Vejam: a única mudança é que passei a.. cobrar por sexo! “Mudei” de lado, passei a ser imoral, condenável.. Seria o lucro meu grande pecado?

2. Prostituição masculina: se um homem decide ser profissional do sexo, a sociedade aceita melhor este fato, já que homens são “donos” de sua sexualidade – Discordo. Vejo que a condenação ao garoto de programa é ainda mais dura que às garotas: ele é um homem em condição de inferioridade, pois se SUBMETE (??) a fazer sexo em troca de dinheiro. Passa a estar em posição de inferioridade em relação a quem o paga. A questão aí é puramente financeira…

3. Você é dono do seu corpo! Sim – e decide o que bem fazer com ele, de modo que não há imoralidade real em optar pela prestação de serviços sexuais. Sempre importante lembrar que o que eu “vendo” não é físico – meu corpo. A prostituta “vende” serviços sexuais, vende uma parte do seu tempo. O cliente não determina tudo o que acontece apenas por estar pagando. Tudo acontece, ou DEVERIA ACONTECER, em pleno acordo entre as partes.

4. Prostitutas fazem sexo sem desejo? Eventualmente, sim. Mas há outras circunstâncias que levam mulheres a transar sem desejo – manter o casamento, por exemplo.

5. A questão da escolha… Se uma trabalhadora recebe x por determinado trabalho, e lhe oferecem receber três vezes mais que x em outro trabalho, deve ela recusar? Obviamente, não.. Por que isso ainda soa estranho quando se trata da prostituição? Por que deveríamos dizer “não”, se nos agrada o trabalho e ganhamos bem com ele? Procuro resposta para essa pergunta há tempos, e até hoje não encontro resposta ou motivo concreto que me leve a abandonar a atividade. A não ser pela condenação moral de uma sociedade que nos alimenta, mas não nos quer à mesa…

Monique Prada, setembro/2012
Acompanhe-me pelo Twitter: @MoniquePrada

Relações Públicas, Bauman, Blogs e Direitos Humanos

Por: Diego Galofero em Versátil RP

Recentemente apresentei na faculdade um artigo sobre a pós-modernidade, e lendo uma matéria da Revista Superinteressante, levantei uma reflexão sobre a prostituição, blogs e pós-modernidade. Quase todo estudo sobre pós-modernidade foi focado nas obras do

polonês Zygmunt Bauman. Nesse processo eu visitei muitos blogs de garotas de programa e consegui o contato de duas profissionais que farão comentários sobre o artigo. Sabe-se pouco sobre Monique Prada e Larissa Golf, só que são moradoras de Porto Alegre e são ativistas de direitos humanos. Leia um pouco do artigo adaptado para o Versátil. Você pode se perguntar o porquê um blog com o foco nas Relações Públicas aborda um assunto desses. Eu te explico: sempre leio e ouço que temos que ser profissionais multiculturais e com o papel de sempre colocar em pauta o debate sobre as diferenças, já que trabalhamos com públicos, e é sempre importante estar preparado para qualquer tipo de assunto.

Para ser prostituta, não é necessário trocar sexo por dinheiro, mas geralmente é assim que acontece, e a “profissão” encontrou uma solução para eliminar intermediários conhecidos como “cafetão”, contra violência e exposição. Monique Prada discorda e diz: “O uso das redes não necessariamente eliminou a figura do intermediário. Temos, sim, agências, fóruns, sites – que, de um modo ou outro, intermediam o contato entre as acompanhantes e os clientes. Por outro lado, reforço algo que já falei mil vezes: antes da internet, já havia acompanhantes que não saiam de casa para oferecer seus serviços: quem não se lembra dos classificados de jornais?” Para Larissa Golf a internet criou paralelamente (a realidade virtual) o cenário real e concreto. Colabora com o anonimato, o que facilita a maior demanda de meninas e consequentemente de agenciadores e etc. Porém o número das chamadas “modelos independentes” parece estar crescendo e tomando a maior parte no mercado.

Em determinado momento eu cito uma pesquisa da revista Superinteressante sobre o fato de elas nunca terem saídos à rua para procurar clientes e utilizar seus blogs como ferramenta de propaganda e cartão de vistas. Prada fala da humanização do marginalizado: “Eu e milhares de prostitutas jamais usamos as ruas para isso. No entanto, ainda há quem use. Sempre haverá, são nichos diferentes de um mesmo serviço. Os blogs interferem sim na prestação de serviços das garotas de programas, pois esta ferramenta humaniza o que é marginalizado. Humaniza, em termos, o contato entre cliente/garota. Digo, em termos, pois o preconceito, abuso e assédio moral ainda imperam.”.

Já Larissa fica em dúvida se humaniza mesmo: “Não sei se ‘humanizar’ seria a palavra ideal, talvez ‘amenizar’ sirva melhor. Eu nunca trabalhei em condições desumanas – apesar de isso existir – então me soa meio forte quando falamos de ‘acompanhante 2.0’. Apesar de concordar que o abuso impera, creio que tudo seja uma questão de se posicionar perante as situações. É uma pena que nem todas tenham consciência disso.” A própria Monique Prada é ativista dos direitos humanos e diz está na profissão por escolha, que prostituição depende de escolha sim. Conversar com essa gaúcha através das novas mídias demonstra que aquela visão antiga sobre as putas, mulheres objeto é apenas preconceito.

Para Monique ser prostituta não é um final para uma pessoa que não teve outra escolha na vida: “É escolha consciente pra mim, que sou adulta. Pode ser escolha induzida para adolescentes e jovens, dado o destaque e glamour que a mídia tem associado à nossa atividade.” Larissa concorda e ainda fala da indução depois do filme da Bruna Surfistinha: “Concordo com a Monique nessa questão da indução. Depois do filme da Bruna parece que foi pior. Essas meninas, porque não passam de meninas inconsequentes, agem por impulso. No meu caso comecei por questões financeiras, mas teria como não trabalhar com isso, no entanto não faço questão de sair. Muitas acabam se arrependendo.” Essas novas garotas de programas têm exposição menor à criminalidade, violência e primam pela qualidade do atendimento.

Prada diz que sempre foi blogueira, mas quando começou a fazer programa, há dois anos, não pensou duas vezes em divulgar pelo blog e fazer um perfil no Twitter: “O perfil no Twitter uso basicamente para ativismo digital. Necessário envolver e engajar cada vez mais profissionais, e mesmo mulheres não profissionais, na luta por nossos direitos enquanto mulheres, na luta contra a homofobia, contra a violência, exploração sexual e prostituição infantil. Importante incentivar cada vez mais as garotas a blogarem, participarem.” Golf acrescenta: “A facilidade de trabalhar anunciando hoje, fez a qualidade de o atendimento decair, e abriu portas para o abuso através de fóruns e redes espalhadas na web. No entanto também acho que devemos lutar em prol de um engajamento das meninas. Eu acredito que quem leva essa profissão tão a sério quanto qualquer outra é que irá se identificar.”.

 O intuito deste post é não levantar bandeira e nem de querer criar juízo de valor, e sim trazer uma reflexão de como as mídias digitais estão melhorando a sociedade, mas ao mesmo tempo não cria grandes revoluções por todas as partes. E essa é a tendência tecnológica: auxiliar, mas não revolucionar tudo o que conhecemos sobretudo as relações humanas.

Para saber mais, vejam a matéria da Superinteressante e o Manifesto de Monique Prada.

As 10 Coisas mais assustadoras que aprendi na Internet sobre garotas de programa blogueiras:

1 – GPs blogueiras são babacas e têm problemas pessoais e/ou psicológicos;

2 – GPs não devem ter blogs. Ninguém acessa esses blogs de GPs, pois há no mercado muitas revistas, jornais e outras mídias muito mais importantes. A Grande Mídia não preza
blogs de GPs nem quer outra Bruna Surfistinha (e, afinal de contas, sabemos que TODAS as GPs que criam blogs sonham, na verdade, em virar a nova Bruna Surfistinha).  Devemos nos importar cada vez mais apenas com a Grande Mídia, pois sabemos que, obviamente, essa coisa de Internet é ultrapassada e blogar  ’já era’.

3. Homens de verdade não são gentis e muito menos presenteiam GPs. Homens que presenteiam GPs são lenda. Homens que presenteiam GPs com sapatos, além de lenda, são malucos. Ou afeminados. Ou babacas induzidos pelo que andam lendo nos blogs das GPs. Desconfia-se, aliás, que as GPs inventam essas coisas apenas para causar inveja nas outras GPs. Aliás, a maioria das GPs só se dá ao trabalho de criar e manter um blog para causar inveja nas outras GPs e enganar os trouxas que saem com elas.

4. Homens de verdade não lêem blogs de GPs por causa dos erros de ortografia. Homens de verdade jamais cometem erros de ortografia. Quando pensamos que homens de verdade cometeram algum erro de ortografia, na verdade, estamos nos deparando com um erro de digitação.

5- Homens de verdade desprezam as blogueiras, pois elas são indiscretas. Homens de verdade prezam somente garotas discretas que anunciam em sites famosos (e caros). Preferencialmente as que, discretamente, mostram o rosto.

6- Homens de verdade têm certeza de que isso de expressar e sustentar opiniões, denunciar conduta agressiva e preconceituosa, correr atrás de seus direitos… Essa coisa de ‘direitos iguais’, liberdade sexual, independência, respeito, não à violência, combate ao assédio moral, essa baboseira toda só pode ser coisa de puta feminazi baderneira ..

7- GPs vivem num mundinho à parte e o que elas escrevem não é definitivamente do interesse de ninguém. Isso (o que elas escrevem) se chama, na verdade, CyberPPP, um termo moderno para designar o tão famoso ‘papo padrão de puta’, mas agora cibernético. GPs não têm vida pessoal e deveriam se restringir a escrever receitas culinárias. Caso não saibam cozinhar, devem urgentemente aprender. E postar receitas. (E isso de postar receitas me lembra tanta coisa  ..)

8- Comentários de um prestador de serviço acerca do próprio atendimento não têm nenhuma credibilidade. Prestadores de serviço mentem o tempo todo a respeito de seus serviços. Prestadores de serviço só querem te enganar.

9- GPs bonitas e gostosas não têm tempo para essa besteira de ler, estudar e muito menos postar em blogs. Elas passam o dia e a noite de quatro em motéis e nem deveriam ter computador em casa, pois realmente não têm tempo para usá-lo. GPs que lêm, estudam, escrevem em blogs só o fazem por que são muito feias – e então, têm tempo de sobra. Estas mesmas GPs que têm tempo de sobra têm, ainda, maus blogs. Péssimos blogs. Os bons blogs de GPs, na verdade, são feitos por eficientes equipes de publicitários, web designers e até (surpreenda-se!) por ghost writers. Os textos dos blogs de GPs, na realidade, são escritos por homens !!! Pobres homens estes que se submetem a ser pagos com a única moeda de que as GPs dispõem para pagar pelos serviços que contratam – sexo, claro. GPs nunca pagam nada em dinheiro.

10. Se ninguém mais sair com as GPs blogueiras, automaticamente os blogs sumirão do ar, as GPs blogueiras não mais expressarão suas opiniões e os homens de verdade estarão livres para seguir enriquecendo a Rede com mais e mais lixo .. ops .. enriquecendo a rede com suas opiniões bem embasadas e inteligentes . Assim, aliás, estarão livres de, quem sabe, um belo dia, caírem em um destes hipnóticos blogs e saírem a comprar sapatos femininos. Boicote às perigosíssimas GPs blogueiras!

Buenas.. Algumas besteirinhas, só pra espairecer.. Obviamente, não penso assim..  As besteiras supracitadas fazem parte de um tópico de discussão em uma comunidade de ‘homens que não lêem blogs de garotas de programa” (estranhíssimo, pois me pareceu claramente que o blog citado era meu rsrs; acho que li algo como “blog rosinha da putinha” e “SENSURA” – com S, assim mesmo rs. Pra quem não lê esse tipo de blog, está bem informado o cidadão …)

Confesso que, num primeiro momento,  achei melhor nem opinar – primeiramente,  por que é quase impossível levar a sério um ser que expressa pensamentos tão obsoletos e em tamanho desacordo com a realidade que o cerca. Por outro lado, também ando cansada de me incomodar com besteiras, e com bestas ..
Olhem .. O  rapaz que ‘puxou’ o assunto me pareceu, com toda a sinceridade delicada de que sou capaz, um tanto quanto perdido em relação às mídias sociais, inclusão digital, etc. Exagerando: ousaria até dizer que, para ele, Wikileaks é apenas um tipo de “Wii” (o joguinho aquele) que usa calças, Twitter é aquela coisinha do alto-falante e ‘brógui de puta é um baguio ali nas rede qui elas usa pramódi mostrá as parte i vê si rola argum”.
Ora, francamente, meu senhor.. Permita-me que lhe implore: saia já da Internet e vá ler um livro rsrs. Um bom livro. Esqueça a revista Caras, vire a cara para a Veja, deixe o Diário Gaúcho de lado, e vá ler um  livro. Serve Machado de Assis, serve Isaac Asimov, serve Michel Houellebecq.. permita-me até citar algum gaúcho, quem sabe o Juremir Machado.. Se lhe parecer complicado, comece com Paulo Coelho. Não há mal maior nisso, acredite. Relaxe, despreocupe-se com o julgamento alheio – o cara, além de parceiro do Raulzito (pré-morte, claro), é um grande marketeiro. Acredito até que a leitura de Paulo Coelho acabe por transmitir ao caro cyber-imbecil alguma paz de espírito, paz que parece lhe faltar.
DEPOIS, munido de algum conhecimento, com maior capacidade de desenvolver raciocínios complexos e sustentar suas posições sem precisar apelar para a agressão e o Cyber-Bullying.. DEPOIS, meu caro, volte a postar. Divida, então, solidariamente, o conhecimento adquirido com os amigos. Falo sério, meu querido .. aproveite as férias para isso. Dentre uma olhada e outra nas ‘gatinhas’ à beira mar, ou no intervalo entre lavar a louça e lamber o chão que a patroa pisa, leia um livrinho ..  Entenda..  Para ‘levantar bandeiras’ contra quem quer que seja é necessário possuir bem mais do que apenas o tal ‘polegar opositor’ que nos difere dos outros mamíferos (à exceção dos macacos, que também possuem polegar opositor – o que lhes permite digitar mas não lhes permite postar asneiras em foruns de Internet).
Me desculpem os outros (alguns) comentaristas, que me pareceram mais centrados e abertos a esse debate. Eu sei, houve até quem manifestasse o desejo de conhecer ‘algo melhor’ em termos de blogs de acompanhantes. Bom.. Algo melhor já existe. Conheço e acompanho alguns excelentes blogs de garotas de programa, e posso, oportunamente, listá-los para os senhores.
Quanto a meus blogs: asseguro aos caros leitores e seguidores que sou eu mesma quem escreve os textos (à exceção daqueles devidamente creditados a outros autores). Além de gostar de escrever e gozar de relativa intimidade com as letrinhas, ainda não encontrei nenhum candidato a ghost writer cujo texto tenha me agradado.
E mais: a manutenção em meus sites, portais, etc, bem como a otimização dos mesmos para os mecanismos de busca, é, também cuidadosamente feita por esta reles e ignorante meretriz que vos fala – ou vos escreve, como preferirem. Se encontrarem erros ou mesmo se algo no design do material os desagrada, eu humildemente peço desculpas aos caríssimos visitantes (*mesmo àqueles que caíram aqui ‘por engano’, àqueles que não lêem blogs de GPs). Aceito sugestões e críticas construtivas.
Somos humanas – nós, as putas – e, eventualmente, também erramos. Umas mais, outras menos.. Mas temos, sim, o direito de expressão, na medida em que não agredirmos a ninguém com nossas besteirinhas nem os expusermos ao ridículo e/ou a humilhações.
Na medida em que tomemos o cuidado de não expor a vida pessoal de ninguém (como, não raro, alguns se divertem ao expor as nossas), temos, sim, o direito de criar e divulgar nossos blogs, sites, comunidades, foruns.
Temos mesmo o direito –  e até o DEVER –  de ajudar umas às outras nessa tarefa que a algumas ainda soa complicada: participar ativamente do mundo virtual. Temos nos ajudado, com certeza, temos trocado idéias, temos interagido. Temos trocado até receitas, aliás. Afinal de contas, somos MULHERES, antes qualquer coisa – e é natural que nos portemos como MULHERES.  MULHERES, acompanhantes, MULHERES blogueiras, em perfeita sintonia com as novas tecnologias, ocupando nosso espaço no mundo virtual, sim, sem desrespeitar a ninguém .. e isso  em Porto Alegre, São Paulo, Curitiba, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis (e cidades do interior também) ..  CONECTADAS :)

Um viva ao velho e bom MSN !!

Por: Monique Prada, dezembro/2010

Prostitutas e seus anunciantes chegam ao Twitter

Por Mauricio Kanno, para FolhaOnLine

 

Adesivos colados em telefones públicos com anúncios de garotas de programa cabem perfeitamente no limite de 140 caracteres do Twitter. Pois alguns profissionais da área já perceberam isso e buscam se aproveitar do serviço de microblog para divulgar seu negócio.

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- Sex for Sale, from Pavement to Penthouse -

Economias Invisíveis

Artigo de Vinícius Grünberg, para The Yale Globalist, com minha colaboração.

In Recife, the state capital of Pernambuco, in northeastern Brazil, the expansive Atlantic is preceded by an oceanfront boulevard, which on this night was empty save for prostitutes. They stood idly on street corners, beckoning to cabs like the one that drove 25-year-old Drika (name changed upon request) to her client’s apartment building. She is not usually comfortable with the idea of house calls — motels provide more safety against violent clients — but he is reliable. “I’ve known him for a while, and he doesn’t seem like he’ll turn violent. A client’s history is what we can rely on to know him,” she explained, sighing with resignation. Nonetheless, she told José, her cab driver, to park around the corner and wait for her “all clear” text message before he leaves. After being admitted by security, she took the service elevator — according to her, “it is less conspicuous than the main elevator as only maintenance personnel and house maids use it.” This is the first time Drika has come to this luxurious apartment building, but she has known more than one of its affluent inhabitants in bed. All of them, she pointed out, pay her because they are “bored of their lives, lonely, and married. Worst of all is that some don’t even try very hard to hide it from their wives.” Why should they? In the midst of Brazilian society, the truth is that prostitution is an open secret, opposed by few, enjoyed by some, and endured by all.

From Slavery to Service

In Brazil, prostitution — and, more broadly, commoditized sex — is not news. Sex and power have been intertwined since before the country’s independence. During the colonial period, slave girls were forced to have sex with their owners. José Carlos Reinoso, an assistant professor at Centro Universitário Augusto Motta in Rio de Janeiro, related prostitution to the Brazilian slave tradition: “Some slave owners would even open brothels where their female slaves could work as prostitutes,” he said. “Many slave women found that preferable to plantation or housekeeping work mainly because it offered the opportunity to win some tips with which they could buy their freedom.” By the time slavery was abolished in Brazil in 1888, Reinoso explained, former slave women, homeless and destitute, moved to urban centers and tried to survive as prostitutes in already-established brothels under the protection of “enterprising former slave owners,” who thrived in a context of state negligence and corruption.

In Brazil today, prostitution derives legitimacy from the bulwark of a functioning society: the Constitution. Unlike in the United States, where it is illegal both to sell and procure sexual services, prostitution in Brazil is legal according to paragraph XIII of the First Article, which provides for each individual’s freedom to exercise any job, employment, or activity unless otherwise restricted by law. However, several articles in the penal code stipulate that while a woman may profit from selling her own body, nobody else may: The commercial exploitation of prostitution “through prostitution houses or any other means” is an illicit act that carries criminal charges. Yet because the state lacks both the political will and the financial resources to enforce the law, brothels pervade nearly every Brazilian city. The police and state authorities are keen on denying the public access to official data on prostitution. A simple interview with the a member of the public safety police (the law enforcement body tasked with stopping sexual exploitation) requires formal authorization from the Governor’s cabinet. Such interviews are seldom granted. From the dingy suburban brothels of the country’s interior to the downtown luxury prostitution houses of major cities, the sex trade obeys the demands of the market rather than those of the law.

Men typically become a part of that market at a young age. Traditionally, a teenager would lose his virginity to a prostitute handpicked by his father. André, a 54-year-old driver from the industrial town of Caruaru, described his first sexual experience. “My father took me to his favorite brothel, Dona Odete’s. ‘My boy’s as sturdy as his father,’ he would say to the girls, and after a couple of visits, I began going there on my own, or with friends,” André said. This scenario, now heavily frowned upon as an antiquated, politically incorrect parenting practice, has changed only superficially. Nowadays, the paternal figure has been replaced by that of the peer group, as 15-year-old boys get together to go to brothels or to share the costs of hiring an escort girl and taking her to a motel. Paulo, now 21 years old, reminisces about his fifteenth birthday, when “the guys came by the house and almost forcibly took me to a brothel. In the end it was great: we paid a girl to strip just for our group, and then the five of us lined up to have sex with her, one at a time.”

Now married and a father himself, André has drastically reduced his visits to brothels, out of a “desire not to tear this family apart” and perhaps due to financial constraints as well, since raising a child and maintaining a house is expensive. Nonetheless, he confessed, “Once in a while, I pay a visit. But I would never have a mistress!”

Many wives treat their husbands’ escapades leniently. As one woman, who spoke on the condition of anonymity, admitted, “I prefer my husband to be fooling around with prostitutes than to be having passionate affairs that will put my marriage in danger.” When young girls watch their male friends head off to the brothels, they laugh it off. High school junior Vanessa Moraes said she finds it “very amusing” to watch the boys hire an entire van to take them to the strip club. “They’ll grow out of it, I guess. It’s just a boy thing.”

The Industry

Because prostitution is legal in Brazil, the market has both flourished and diversified. Costs for sexual services vary depending on the city, the establishment, and what kind of services a woman performs. A thorough search through online profiles, newspaper ads, brothel “photo-menus,” and street corners reveals the qualities that determine a prostitute’s place on the scale of luxury; the cost of services differs based on a woman’s knowledge of foreign languages, her ability to engage in conversation, her dress, and her work environment. Women who work independently on streets charge around $25 for a programa completo, which includes oral, vaginal, and anal sex. The average brothel prostitute and independent escort charges between

$100 and $200 for a two-hour programa, complete or not, depending on the professional. Finally, at the top of the scale, it costs between $500 and $1,000 (possibly more) for a similar service. In addition to this payment given directly to the prostitute, clients are also responsible for the brothel fee — between $20 and $250, depending on the establishment — required for a client to take the girl to a motel, as well as the cost of a motel room.

Motels are an integral part of Brazilian prostitution, used to host sexual exchanges by couples who have nowhere else to go. Unsurprisingly, prostitution establishments located outside major cities are often close to at least one motel. These establishments are as common to the urban landscape as grocery stores, located in the best parts of town alongside other “more respectable” enterprises such as shopping malls and commercial galleries. Their presence is particularly strengthened by the force and buoyancy of their advertising strategies. Recife’s Lemon Motels are famous in Recife for their billboards featuring sexually suggestive fruits, such as breast-shaped lemons and bananas meant to recall penises that point towards the nearest Lemon establishment. Most programas take place in motels, which are relatively cheap; the best ones have special “erotic” suites that cost $40 for an overnight stay. They are relatively safe, for they are located in the middle of town and, according to both Drika and Monique

Prada, a prostitute and businesswoman from Porto Alegre, have “a tight security system to prevent clients from crossing the limit of the client-escort relationship.” Because many of the men buying sex are married, motels provide at least nominal secrecy. Finally, motels are relatively comfortable, with all of the amenities of a typical American hotel plus erotic additions such as vibrators, pornographic TV channels, hot tubs, and jacuzzis. Drika explained why motels are preferable for prostitutes as well as clients: “the rooms make it easier for me to please him, in the jacuzzi, or watching porn.”

Brazil’s social hierarchy is evident in the types of men that frequent different brothels. In the economic and political hubs of the country, especially Rio de Janeiro, São Paulo, and Brasília, the houses become meeting place for important, oftentimes famous political figures accustomed to luxury and exclusivity. Visiting a luxury brothel in Goiânia, next-door to Brasília, dentist Onildo Campus noted that “everything was extremely expensive: one liter of liqueur Amarula cost $300, and the house fee to take any girl out on a programa was $250 plus the girl’s own fee. A few minutes after I got in, a number of senators, representatives, and elite cattle businessmen arrived. I asked myself, Onildo, what are you doing here?” Campus was attending a professional conference in Goiânia and was openly offered escort services as part of a “conference package” that also included sightseeing and regional meals.

The average Brazilian man may not be able to afford such expensive services, but this does not preclude him from patronizing brothels. Tati drinks, a dingy brothel where a 22-year-old woman named Deysianne works, is supposed to be Caruaru’s finest, according to all of the town’s residents. With a $3 entry fee (which includes a beer), the place is packed by industrial workers, many of whom relax and drink, but few of whom actually purchase services, preferring instead to save their money and take in the atmosphere. Given the scant number of prostitution establishments in the town, many groomed gentlemen from Caruara also attend, though they seldom stay in the brothel, preferring to take the girls to Alphaville, Caruaru’s best motel, located just around the corner. The obvious differences among clientele, intensified by the effects of alcohol, sometimes lead to violent episodes. The brothel has recently seen two major shootings. In one instance, a customer talked Madam Tati into closing the brothel for him and his friends, and was subsequently shot three times on the chest by a ranch worker irritated at being asked to leave.

Unexpected Sex in Unexpected Places

The prevalence of so many forms of prostitution has made commercial sex so commonplace that it has found its way into the country’s workplaces. Carlos Fontes (name altered upon request), a wealthy, sharp-looking, 40-year-old businessman, admitted that he frequently visits brothels while traveling for business. “Whenever there are business trips involving my associates and I, we often procure prostitutes through independent ads or establishments, for at least one of the evenings. It is preferable if a big company invites you to the conference, for they more often than not treat you to escort girls and fine restaurants.” Men of lesser means, such as a store clerk from Recife named Gilson, also manage to mix sex with work. His clothing store is located underneath a massage clinic that doubles as a brothel, which he said, “makes things easy. I can go there every couple of weeks for lunch break when I have some money left.” The prices are distinctively different – Carlos pays on average $200 for a 2-hour programa, while Gilson pays $30 for a half-hour “oral relaxation” (read, oral sex) session.

Among teen boys and grown men alike, prostitution is a part of Brazilian identity. Because it is legal to sell one’s own body, prostitution is not as stigmatized in Brazil as it is elsewhere, despite the fact that much prostitution takes place under the supervision of brothel owners, which is technically illegal. Police, who make little effort to stop illegal prostitution, refuse to speak out about the issue. And so, in dimly lit motel rooms nationwide, a male-centered economy thrives, accepted as a fact of life even by the few who choose not to buy into it.

Originalmente publicado em The Yale Globalist (clique e leia o original)

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