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Silent Society

Por Monique Prada – 12/04/2010

Só não vê que não quer, o mar não está para peixe pequeno. Os bagrinhos (e as bagrinhas, hehehehe) irão sofrer muito nessa conjuntura que se apresenta.
O problema nunca é crise ou falta de dinheiro – embora, sim, a crise nos países centrais seja responsável por muito do que me anima a escrever agora, mas isso já é outra história – o problema não é a crise, mas mudanças e modificações nas “tendências”. E, como nunca, o melhor cego é aquele que se recusa a enxergar o óbvio: já mudou! O minimalismo silencioso e intimista grita que o serparaterparaserparater é o novo hype. But, don’t believe the hype… porque as coisas não são tão simples como parecem.

Sem teoria, somos todos espermatozóides estéreis – embora sempre haja quem faça e refaça os caminhos e não conheça o motivo do fracasso. Monique é, definitivamente, fruto de uma reflexão sobre o futuro e as “tendências” – isso está claro desde os primeiros posts desse blog, sobre o que esperam os amigos e patrocinadores.. como sobre se sentir bem e fazer bem feito em um momento onde o pior prospera e o melhor é relegado ou inatingível.
Tudo já foi visto e feito em termos visuais e, em grande parte, reciclado. As referências e meta-referências funcionaram após os anos 1980. 2010 marca um novo momento nessa história. Estamos cansados – mas só nos sobrou o vazio-concreto das infinitas imagens refletidas nos espelhos das telas das TVs, notes, Ipads e celulares…
Então, meu Deus dos écrans luminosos! Então.. o que explica o sucesso global extraordinário do curling nos Jogos Olímpicos de Inverno, senão o saco cheio das pessoas com o estado atual da sociedade do espetáculo? O curling, para quem não sabe, é o anti-espetáculo televisivo. É um jogo que existe faz séculos e seu sucesso sempre foi menos do que residual. Trata-se de jogar pedras em torno de um alvo no gelo. E, o mais bizarro: o lançador da pedra, escudado por um capitão, ajuda a comandar uma equipe com dois “vassourinhas” - que varrem o gelo com maior ou menor determinação, de modo a que a pedra deslize mais ou menos rápido e possa atingir com maior precisão ao alvo. Existe “esporte” mais anti-espetacular? É algo como o “campeonato de pedrinhas n’água”. Mas é calmo, relaxante, sem contato físico, quase silencioso. Apesar dos gritos dos jogadores, as pedras sibilam sensualmente no gelo, as vassourinhas uivam e gemem… A imaginação corre solta no bater das pedras. O curling, o anti-espetáculo, é sucesso em Wall Street (vários jargões do esporte que não me ocorrem agora foram incorporados à linguagem das estratégias financeiras após as Olímpiadas) e no mundo. Por que agora e não antes, essa é a pergunta correta. O que isso significa?
Outro exemplo dessa nova tendência é o sucesso das “silent parties”. Não fui, mas adorei a ideia. Na  Silent Party, os “festeiros” ficam com fones e três canais de músicas à sua disposição. Retirando os fones não se escuta nada, é possível até mesmo conversar… Me lembra um tanto a idéia do bar à l’eau, em voga desde os anos 1990 em Paris. O bar ideal da Monique tem água mineral de todas as procedências (e até alguma champagne, legítima também, rs), que contrasta com o espetáculo brega do aparecerparaser falsamente “esperto e descolado” .
É bem isso que busco: muita loucura, mas sem grandes chacoalhares; muita agitação, mas sem grande barulheira; e muita sensualidade, mas  sem a enorme vulgaridade “esperta” que nos assola. Não grito, não falo em demasia. A estética pornô não me atrai. Estou longe do funk e do pagode. Dançar coladinho, tô fora. Nada contra, apenas não me atrai. E os exemplos acima mostram que não sou a única, ao contrário, o meu sentimento é o hype… silent society; fluidez sensual. Cascatas, fontes e águas…
Que os tempos sóbrios que se avizinham abençoem o bom gosto, a diversão e a verdadeira loucura.

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