Monique Prada – Acompanhante

Monique Prada

Direito à visibilidade e aos direitos

Texto de Walter Hupsel

“Uma coisa temos que admitir: Marco Feliciano é teimoso. Ele insiste em permanecer na presidência da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara a despeito de ter perdido qualquer legitimidade, ou de nunca ter tido.
Mesmo com protestos se espalhando, a raposa anti-direitos humanos permanece ali, à espreita, cuidando para que as pautas positivas não progridam, que direitos não avancem.
A mais nova atitude do deputado foi entregar a relatoria do projeto de lei que regulamenta a profissão da prostituição, de autoria de Jean Wyllys (PSol-RJ), ao seu amigo de fé Deputado Pastor Eurico (PSB-PE).
Aqueles que execram a prostituição tem todo direito de não gostar. Tem o direito de gritar em seus templos, em suas casas, o quanto aquilo é depravação, é pecado, que o pecador irá arder nas chamas ou no mármore.
Entretanto, barrar, evitar, impedir direitos é de uma tacanhez absurda. É não estender a mão, é jogar as pessoas que vivem de vender o corpo no limbo.
Não se trata de aplaudir, e nem mesmo de vaiar a prostituição. Se trata apenas de entender que, a despeito do que achemos, a ela existe e sempre existirá. E que não há crime nenhum em vender sexo.”
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*** Nota minha: discordo da expressão “vive de vender o corpo”, usada por Hupsel. Vivemos do aluguel de nosso tempo. Nada vendemos.

O direito de existir (eu, como você)

por Monique Prada

Artigo publicado originalmente no blog Socialista Morena, da jornalista Cynara Menezes
Leia este artigo também no Papo de Homem

O senso comum trata a prostituição como a mais antiga das atividades remuneradas. Embora eu não estivesse lá para testemunhar, meus parcos conhecimentos da história da humanidade não me dão base sólida para contestar tal informação – de modo que a tomaremos como verdade, de momento. Fato é que a prostituição existe desde há muito e, por mais estigmatizada, discriminada, isolada que seja a pessoa que a exerce, segue existindo, sem dar sinais reais de que sua extinção esteja próxima.

Assunto em voga hoje em dia, o projeto de lei que visa regulamentar a atividade vem encontrando apoio e oposição em vários setores da sociedade organizada. É um projeto bastante inteligente, conectado à realidade. Um dos pontos mais importantes em seu texto é a legalização das boates, clínicas e casas de prostituição, estipulando inclusive valores percentuais para determinar o que se pode considerar “exploração” – a qual passa a ser o crime – e o que seria lucro aceitável a uma empresa destinada à diversão adulta e à comercialização de serviços sexuais. Seus maiores opositores, além dos tradicionais grupos religiosos de matizes variados, devem estar justamente nos donos dos bordéis e afins. Situação análoga a de qualquer tentativa de regulação do trabalho em qualquer época em nosso país, vide o ocorrido na década de ’40.

Incrivelmente, algumas pessoas reagem como se o projeto “criasse uma nova profissão”, e não simplesmente regulamentasse o que já temos por aí, funcionando dia e noite à revelia da lei – o que pode, em muitos casos, dar margem inclusive a outras ilegalidades e a uma situação de vulnerabilidade real e segregação ao profissional, que não tem a quem recorrer na hora de fazer valer seus direitos. O projeto praticamente não afeta em nada a vida das chamadas “acompanhantes de luxo” (luxo, aliás, é um termo até irônico quando aplicado ao ramo…) que atuam de modo independente através de sites e comunidades na Internet, ou mesmo em casas mais conceituadas, que não costumam perceber remuneração direta sobre o valor cobrado pela profissional. Entretanto, é de grande importância para proteger as prostitutas em situação de maior vulnerabilidade social. Não regulamentar não acabará com os prostíbulos baratos e insalubres. A não regulamentação apenas favorece o trabalho da máfias, o tráfico humano, a escravidão (e lembremos que trabalho escravo não é acontecimento inerente apenas à prostituição: há mão-de-obra escrava farta na indústria da construção civil, do vestuário, da mineração.. E a situação do trabalhador doméstico nos pontos mais longínquos do país, como anda?).

Os efeitos positivos da regulamentação talvez não sejam visíveis a curto prazo, não cabe ilusão a esse respeito. O projeto de lei não é perfeito, tem suas falhas – coisa que não ficou clara para mim, por exemplo, é como se daria a cobrança pelo serviço em caso de não pagamento pelo cliente: haveria um contrato escrito entre as partes? E do que consistiria o trabalho “em cooperativa” proposto? O texto precisa ser melhor estudado, aperfeiçoado, ajustado à diversidade de situações regionais. Mas é um puta avanço – com o perdão do trocadilho, babaca e quase inevitável.

Campanha irlandesa contra a segregação às prostitutas: “Escolho o emprego que melhor se adequa às minhas necessidades”.

Lembremos sempre: todos nós, quando “decidimos” trabalhar, o fazemos pela necessidade de nos sustentarmos, e aos nossos. Não importa em que área trabalhamos, o fazemos pela grana – e, quem sabe, por alguma satisfação pessoal também.Exploração é regra nas relações que regem nossa sociedade, não exceção, os mais conscientes sabem muito bem. Somos contra, mas, até o momento, leis, regras e fiscalização foi a solução que amenizou o problema, para todos.

Feliz é aquele que trabalha no que gosta. Assim é com o profissional do sexo também. A prostituição é, sim, “um trabalho como outro qualquer”, porém com suas peculiaridades. Manter a “profissão” à sombra da legalidade, negando direitos, negando regulamentação, só contribui pra que se trabalhe em um ambiente de violência, exploração, SEGREGAÇÃO. Além do mais, já passou da hora de sermos vistas – nós, meretrizes – como cidadãs responsáveis por nossas escolhas e donas de nossas vidas.

Muitos movimentos nos tratam como seres incapazes de escolher nossos caminhos, vítimas de um trabalho que nos oprime, ignorantes sobre o mundo que nos cerca. O que verdadeiramente nos oprime é estar à margem, é o trabalho mal pago, é a invisibilidade forçada, esse vitimismo imposto, aliado a uma romântica compreensão de que sexo é algo pelo qual não se pode cobrar sem uma vaga sensação de erro, de pecado, de culpa.. Somos nós, meretrizes, também, donas e senhoras de nossos corpos, mesmo durante nosso período de trabalho. Percebam: alugar seu tempo não é equivalente a alugar ou vender seu corpo, como pensam tanto(as). Quem contrata os serviços de uma prostituta não tem direito ao abuso ou à violência. Há uma diferença sensível, porém importante, entre um conceito e outro.

“Profissionais do Sexo: Documento Referencial para Ações de Prevenção das DST e da Aids”, pioneira cartilha elaborada pelo Ministério da Saúde em 2002.

Alguns, com boa intenção talvez, mas desconhecendo a realidade, dizem que é uma atividade “indigna” e, portanto, não passível de direito. Dignidade é liberdade. Exercer seu ofício de modo digno e ter seus direitos de trabalhador respeitados, isso é libertar o profissional do sexo. Exigir que um profissional abandone seu trabalho não o liberta de nada. É, sim, interferir vergonhosa e autoritariamente na vida de pessoas adultas e com condições de decidir. Eu, como você.

Relações Públicas, Bauman, Blogs e Direitos Humanos

Por: Diego Galofero em Versátil RP

Recentemente apresentei na faculdade um artigo sobre a pós-modernidade, e lendo uma matéria da Revista Superinteressante, levantei uma reflexão sobre a prostituição, blogs e pós-modernidade. Quase todo estudo sobre pós-modernidade foi focado nas obras do

polonês Zygmunt Bauman. Nesse processo eu visitei muitos blogs de garotas de programa e consegui o contato de duas profissionais que farão comentários sobre o artigo. Sabe-se pouco sobre Monique Prada e Larissa Golf, só que são moradoras de Porto Alegre e são ativistas de direitos humanos. Leia um pouco do artigo adaptado para o Versátil. Você pode se perguntar o porquê um blog com o foco nas Relações Públicas aborda um assunto desses. Eu te explico: sempre leio e ouço que temos que ser profissionais multiculturais e com o papel de sempre colocar em pauta o debate sobre as diferenças, já que trabalhamos com públicos, e é sempre importante estar preparado para qualquer tipo de assunto.

Para ser prostituta, não é necessário trocar sexo por dinheiro, mas geralmente é assim que acontece, e a “profissão” encontrou uma solução para eliminar intermediários conhecidos como “cafetão”, contra violência e exposição. Monique Prada discorda e diz: “O uso das redes não necessariamente eliminou a figura do intermediário. Temos, sim, agências, fóruns, sites – que, de um modo ou outro, intermediam o contato entre as acompanhantes e os clientes. Por outro lado, reforço algo que já falei mil vezes: antes da internet, já havia acompanhantes que não saiam de casa para oferecer seus serviços: quem não se lembra dos classificados de jornais?” Para Larissa Golf a internet criou paralelamente (a realidade virtual) o cenário real e concreto. Colabora com o anonimato, o que facilita a maior demanda de meninas e consequentemente de agenciadores e etc. Porém o número das chamadas “modelos independentes” parece estar crescendo e tomando a maior parte no mercado.

Em determinado momento eu cito uma pesquisa da revista Superinteressante sobre o fato de elas nunca terem saídos à rua para procurar clientes e utilizar seus blogs como ferramenta de propaganda e cartão de vistas. Prada fala da humanização do marginalizado: “Eu e milhares de prostitutas jamais usamos as ruas para isso. No entanto, ainda há quem use. Sempre haverá, são nichos diferentes de um mesmo serviço. Os blogs interferem sim na prestação de serviços das garotas de programas, pois esta ferramenta humaniza o que é marginalizado. Humaniza, em termos, o contato entre cliente/garota. Digo, em termos, pois o preconceito, abuso e assédio moral ainda imperam.”.

Já Larissa fica em dúvida se humaniza mesmo: “Não sei se ‘humanizar’ seria a palavra ideal, talvez ‘amenizar’ sirva melhor. Eu nunca trabalhei em condições desumanas – apesar de isso existir – então me soa meio forte quando falamos de ‘acompanhante 2.0’. Apesar de concordar que o abuso impera, creio que tudo seja uma questão de se posicionar perante as situações. É uma pena que nem todas tenham consciência disso.” A própria Monique Prada é ativista dos direitos humanos e diz está na profissão por escolha, que prostituição depende de escolha sim. Conversar com essa gaúcha através das novas mídias demonstra que aquela visão antiga sobre as putas, mulheres objeto é apenas preconceito.

Para Monique ser prostituta não é um final para uma pessoa que não teve outra escolha na vida: “É escolha consciente pra mim, que sou adulta. Pode ser escolha induzida para adolescentes e jovens, dado o destaque e glamour que a mídia tem associado à nossa atividade.” Larissa concorda e ainda fala da indução depois do filme da Bruna Surfistinha: “Concordo com a Monique nessa questão da indução. Depois do filme da Bruna parece que foi pior. Essas meninas, porque não passam de meninas inconsequentes, agem por impulso. No meu caso comecei por questões financeiras, mas teria como não trabalhar com isso, no entanto não faço questão de sair. Muitas acabam se arrependendo.” Essas novas garotas de programas têm exposição menor à criminalidade, violência e primam pela qualidade do atendimento.

Prada diz que sempre foi blogueira, mas quando começou a fazer programa, há dois anos, não pensou duas vezes em divulgar pelo blog e fazer um perfil no Twitter: “O perfil no Twitter uso basicamente para ativismo digital. Necessário envolver e engajar cada vez mais profissionais, e mesmo mulheres não profissionais, na luta por nossos direitos enquanto mulheres, na luta contra a homofobia, contra a violência, exploração sexual e prostituição infantil. Importante incentivar cada vez mais as garotas a blogarem, participarem.” Golf acrescenta: “A facilidade de trabalhar anunciando hoje, fez a qualidade de o atendimento decair, e abriu portas para o abuso através de fóruns e redes espalhadas na web. No entanto também acho que devemos lutar em prol de um engajamento das meninas. Eu acredito que quem leva essa profissão tão a sério quanto qualquer outra é que irá se identificar.”.

 O intuito deste post é não levantar bandeira e nem de querer criar juízo de valor, e sim trazer uma reflexão de como as mídias digitais estão melhorando a sociedade, mas ao mesmo tempo não cria grandes revoluções por todas as partes. E essa é a tendência tecnológica: auxiliar, mas não revolucionar tudo o que conhecemos sobretudo as relações humanas.

Para saber mais, vejam a matéria da Superinteressante e o Manifesto de Monique Prada.

 

 

 

 

Robôs substituirão meretrizes

Cientistas da Universidade de Victoria, na Nova Zelândia, divulgaram uma previsão futurística para 2050. Eles afirmam que o famoso bairro da luz vermelha, situado na cidade de Amsterdã (Holanda) será dominado pelas prostitutas robóticas. E o maior benefício desta mudança será o quesito limpeza!
As pesquisas revelam que, para dar um efeito mais real, todos os robôs – seja na versão feminina ou masculina – serão feitos de fibras resistentes a possíveis bactérias liberadas por “fluídos” humanos.  Mas eis que surge uma dúvida: e o banho? Quem irá fazê-lo? Ou ainda, será possível enfiar o robô embaixo do chuveiro? As garotas e garotos serão a prova d’água?

Ian Yeoman é professor de administração com aptidões para o turismo e Michelle Mars é sexóloga. Ambos são os responsáveis pelo estudo “Robots, Men and Sex Tourism” (Robôs, homens e turismo sexual) que foca no futuro do bairro da luz vermelha de Amsterdã em 2050. Para a dupla, os atrativos deste novo modelo de prazer sexual, além da higiene, são a redução do tráfico mundial de mulheres para prostituição e a beleza e perfeição que esses robôs irão agregar.

Fonte: Olhar Digital